Sem celular
Fiz o blog no ano passado com o intuito de publicar textos longos, que de forma geral não cabem no Insta. Em inúmeras vezes senti vontade de escrever, mas não escrevi, perdi todas as ideias. Quando releio meus textos percebo os erros penso em reescrever, editar, por vezes isso não vai acontecer, não agora.
Nessa semana tive o celular furtado dentro de um ônibus no trajeto do serviço para casa, estava distraída e tiraram do bolso da minha blusa. As vezes volto com o Rogério (prof de estamparia) e os meninos dele. o Isaac fica conversando com o Otto, vamos até a estação onde fazemos baldeação. Percebi que tinha sido furtada quando estávamos no metro e ia indicar o BibliOn (aplicativo de leitura). Deu tristeza no dia porque sei que esse aparelho que me levaram ainda está sendo pago em suaves prestações no cartão da minha mãe. A galera que convive comigo me deu muito suporte emocional, acho que no fundo a revolta maior vem deles, afinal, todos acompanham as minhas batalhas diárias. No outro dia refletimos sobre as condições de quem pegou o aparelho, caímos nas mazelas sociais.
Vou ficar sem comprar um celular até novembro, mês do famigerado décimo terceiro. Agora me pego a pensar se compro um celular do hype ou um que atenda as funções básicas. Por vezes me bate a vontade de deletar as redes sociais, talvez eu ainda tenha algo a falar nesses locais, lembro de quando eu fiz isso uma vez e as pessoas achavam que eu estava "devendo". Imagine eu "devendo" "o que" "a quem". O Yuval Noah Harari grande escritor, filósofo contemporâneo israelense não tem redes sociais. Tenho me comunicando com os amigos próximos por meio do Instagram e pelo Business.
Com todo esse perrengue surgiu a oportunidade de pensar sobre a minha relação com as tecnologias. Às vezes acho que passo tempo demais online, percebo pouco as coisas a minha volta, a vida sentida pela representação através das telas.
O caminho para o trabalho é longo, para ônibus e pirua ouço podcasts “Meu inconsciente coletivo”, “Calma gente horrível”, “Imposturas filosóficas”, “Amplitudes”, escrevendo os nomes agora achei um tanto quanto adulto pessimista. Para os metrôs gosto de ler. Nos últimos tempos troquei as minhas leituras da ida para ouvir Isaac ler histórias infantis, quero estimular o ato da leitura, contei para ele que as histórias estão guardadas e só ganham vida quando a nossa alma se conecta com a alma da história que estamos lendo. Quando falei isso pensei em todos os livros que comecei a ler e por algum motivo não a leitura não fluiu ou naqueles encontros inesperados com títulos desconhecidos.
Nessa semana ele leu o primeiro livro sozinho, Diversidade de Tatiana Belinky, com ilustrações de Gilles Eduar, foi legal explicar as características apresentadas pela autora e ver a felicidade de terminar a leitura, no começo confesso que não foi fácil, ele achou a ideia bem chata, mas aos poucos foi curtindo.
Eu retornei a leitura da biografia da Michelle Obama, parei numa parte onde Barack a pede em casamento depois de uma longa conversa sobre a importância desse tipo de união para os dois, achei bonito, mas gastar tempo em um diálogo que já tem um ponto de concordância um pouco desnecessária, homens né.
Quero retomar com alguns processos artísticos, ler e escrever, o trabalho com tramas com crochê, produção de bijuterias, desenhar e pintar. Quero começar a fazer coisas, tenho ideias para criar estampas para tecidos. Fazer comida de forma consciente. Fazer exercício físico. Ter quinhentas e setenta e dez horas por dia. As vezes tenho vontade de recomeçar, largar tudo, trocar de cidade. Epifania.
Veremos o que será daqui para frente!
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