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Tenho acordado com vontade de viver

Tenho acordado com vontade de viver: mas não viver de forma pragmática. A cada dia que passa, quero mais viver com  intenção . Para muitas pessoas, tenho dito que estou colocando a vida no lugar, qual lugar é esse, eu também ainda não sei. Tenho tentado reencontrar a Thamires que entrevistava as pessoas do bairro sobre assuntos diversos, que não era tímida, colocava uma ideia na cabeça e enfrentava o mundo, se precisasse. Por hora, tenho lido meus e-mails. Sei que pode parecer bobeira, mas minha caixa estava muito, muito cheia, com e-mails irrelevantes e newsletters maravilhosas. Aos poucos, consegui arrumar minha casa e tenho pensado em voltar a restaurar móveis, deixar meu lar mais confortável. Tenho dedicado meu tempo a estudar com mais foco Direito e Inglês e, por isso, deixei outras atividades um pouco de lado: como, por exemplo, o crochê, que gosto tanto, mas que, por enquanto, precisa esperar. Tenho tentado manter a meta de leitura: 50 páginas por dia. Faço isso indo e volta...

O outono é sempre igual

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Gosto de dar uma volta depois do almoço, sair da rotina, tomar um sorvete. Estava conversando sobre assuntos aleatórios com a Flávia, quando lembrei de um diálogo que tive com o motorista da Uber. ... Lembro que ele falou que estávamos no outono e por isso estava tudo bonito, florido... Eu simplesmente falei não, não estamos no outono, estamos no final de inverno, porque passa o inverno, chega o verão! Ele falou é, eu falei é, Sandy Junior! Passa o inverno, chega o verão, o calor aquece minha emoção... Depois ele disse que fazia muito tempo que ele tinha saído da escola, eu disse a que a vida era assim e continuamos o trajeto. ... A Flávia me olhou esquisito durante meia hora, e falou que depois do inverno vem a primavera. Fiquei indignada e falei o mesmo argumento pra ela Sandy & Junior Passa o inverno, chega o verão Eu fui no Google e pesquisei Sim, eu estava errada! Depois do inverno vem a primavera!   Lembrei das coleções de moda outono/inverno, pr...

Duas árvores frutíferas

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Sempre falei que quando casasse iria querer ter duas árvores frutíferas em casa, para fazer geleia. Pode parecer loucura, mas antes de comprar o apartamento tinha sonhado com ele exatamente como ele era, o portão marrom exatamente como é. Lembro do corretor de imóveis me oferecendo um perto da casa da minha avó, mas não tinham dois quartos, recusei a proposta, outro era na Chácara Flora, e como não tenho carro novamente recusei. Em um final de tarde ele me ligou, falou mais ou menos o local, eu lembrei que um amigo meu morou um tempo ali por perto, o Dani boy, naquele momento eu sabia de um jeito louco que era lá. Fechei o negócio por telefone. Ainda estou descobrindo o bairro, algo que gosto intensamente são as praças que quase formam um parque e nelas tem duas árvores frutíferas, uma de pitanga e outra de amora, elas são grandes e estão carregadas, a vida sempre nos dá aquilo que a gente deseja, talvez só não na forma como a gente espera.

Mente pra mim não muleque

Cão que muito ladra não morde Quem fala demais não faz nada (sim, é sobre atitudes) Cresci ouvindo palavras e nem sempre essas palavras condiziam com a verdade, ouvir um na volta eu compro, ou mesmo vou vim te ver por vezes gerava incômodo. Então decidi criar meu filho com verdade, mesmo que ela não seja a melhor coisa para se escutar no momento, outro ponto que tenho trabalhado é a forma como argumento, o jeito da minha fala, sei que às vezes sou dura, direta e grossa. O Isaac não costumava mentir, porém neste fim de semana foram três mentiras na sequência. Isso me chateou, e eu não soube lidar. Perguntei como poderia administrar a situação na terapia, aquele velho modelo de interrogatório surgiu na mesa, e acho que não tem muito a ver comigo. Sei que também faz parte do entendimento do erro, quando falamos você errou, fez isso e aquilo e me magoou, não damos tempo da pessoa processar a informação e assumimos a culpa do outro. Na segunda-feira estávamos voltando pra casa, foi um traje...

Semelhanças entre “O laço de Fita” (1913) de Castro Alves e “Menina bonita do laço de fita” (1986) de Ana Maria Machado

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Castro Alves Na selva sombria de tuas madeixas, Nos negros cabelos da moça bonita   Ana Maria Machado Os cabelos eram enroladinhos bem negros como fiapos da noite   Menina mulher descrita com animalidade Fingindo a serpente qu’enlaça a folhagem Formoso enroscava-se   A pele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra na chuva   Menina mulher comparada com a Serpente, habitante do mundo dos sonhos e inconsciente, habitante de dois reinos a terra e a água, o começo e o fim, origem e destino, ela surge das profundezas do rio para a superfície da terra e é responsável pelo povoamento do mundo, da multiplicação, relacionada com a libido, por vezes fálica, venenosa, obra do mal, símbolo da fecundidade, serpente não é macho nem fêmea, ou mesmo deusa ou diaba, traz a morte e a transformação. Menina mulher comparada a pantera, felina com melanina. A primeira referência foi aos Panteras Negras de 1960, sem laços de fita, usando black powe...

Texto 2 que vem do texto 01

Ao olhar de relance para o lugar no chão onde os visitantes costumavam tirar os chinelos, ela notou ao lado de dos pares de  chappals , um par de sapatos masculinos. Enquanto a mãe continuava a enumerar seus méritos, na sala, Ashima, sem conseguir resistir a um impulso repentino e poderoso, pôs seus pés pequeninos dentro dos sapatos que estavam no chão. Ashima escolhera Ashoke desta forma, sempre achou que os sapatos são importantes para firmar os pés na terra e dar passos seguros. Não imaginava que se mudaria meses depois para os Estados Unidos, ela se questionava sobre seu modo de viver, tão longe de tudo, inclusive de si mesma.    (Referência, apropriação de  O Xará, Jhumpa-Lahiri, págs. 16-17, Biblioteca Azul; 1ª edição, 1 junho 2014)

Texto 01

Ao olhar de relance para o lugar no chão onde os visitantes costumavam tirar os chinelos, ela notou ao lado de dos pares de chappals , um par de sapatos masculinos que não eram parecidos com nada que tivesse visto nas ruas, condes e ônibus de Calcutá, ou mesmo nas vitrines de Bata. Eram sapatos marrons com saltos pretos, cordões e costura na cor off-white. Havia uma série de buracos em relevo, do tamanho de lentilhas, dos dois lados de cada sapato, e nas pontas, um belo desenho no couro como se feito com uma agulha. Ao olhar mais de perto ela viu a assinatura do sapateiro grafada do lado de dentro, em letras douradas, quase totalmente apagadas: alguma coisa e filhos, dizia. Viu o tamanho, oito e meio, e as iniciais USA. E enquanto a mãe continuava a enumerar seus méritos, Ashima, sem conseguir resistir a um impulso repentino e poderoso, pôs os pés dentro dos sapatos que estavam no chão. O resto de suor dos pés do dono misturou-se ao dela, fazendo seu coração disparar; era a coisa mais ...