Postagens

Mostrando postagens de março, 2023

Semelhanças entre “O laço de Fita” (1913) de Castro Alves e “Menina bonita do laço de fita” (1986) de Ana Maria Machado

Imagem
Castro Alves Na selva sombria de tuas madeixas, Nos negros cabelos da moça bonita   Ana Maria Machado Os cabelos eram enroladinhos bem negros como fiapos da noite   Menina mulher descrita com animalidade Fingindo a serpente qu’enlaça a folhagem Formoso enroscava-se   A pele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra na chuva   Menina mulher comparada com a Serpente, habitante do mundo dos sonhos e inconsciente, habitante de dois reinos a terra e a água, o começo e o fim, origem e destino, ela surge das profundezas do rio para a superfície da terra e é responsável pelo povoamento do mundo, da multiplicação, relacionada com a libido, por vezes fálica, venenosa, obra do mal, símbolo da fecundidade, serpente não é macho nem fêmea, ou mesmo deusa ou diaba, traz a morte e a transformação. Menina mulher comparada a pantera, felina com melanina. A primeira referência foi aos Panteras Negras de 1960, sem laços de fita, usando black powe...

Texto 2 que vem do texto 01

Ao olhar de relance para o lugar no chão onde os visitantes costumavam tirar os chinelos, ela notou ao lado de dos pares de  chappals , um par de sapatos masculinos. Enquanto a mãe continuava a enumerar seus méritos, na sala, Ashima, sem conseguir resistir a um impulso repentino e poderoso, pôs seus pés pequeninos dentro dos sapatos que estavam no chão. Ashima escolhera Ashoke desta forma, sempre achou que os sapatos são importantes para firmar os pés na terra e dar passos seguros. Não imaginava que se mudaria meses depois para os Estados Unidos, ela se questionava sobre seu modo de viver, tão longe de tudo, inclusive de si mesma.    (Referência, apropriação de  O Xará, Jhumpa-Lahiri, págs. 16-17, Biblioteca Azul; 1ª edição, 1 junho 2014)

Texto 01

Ao olhar de relance para o lugar no chão onde os visitantes costumavam tirar os chinelos, ela notou ao lado de dos pares de chappals , um par de sapatos masculinos que não eram parecidos com nada que tivesse visto nas ruas, condes e ônibus de Calcutá, ou mesmo nas vitrines de Bata. Eram sapatos marrons com saltos pretos, cordões e costura na cor off-white. Havia uma série de buracos em relevo, do tamanho de lentilhas, dos dois lados de cada sapato, e nas pontas, um belo desenho no couro como se feito com uma agulha. Ao olhar mais de perto ela viu a assinatura do sapateiro grafada do lado de dentro, em letras douradas, quase totalmente apagadas: alguma coisa e filhos, dizia. Viu o tamanho, oito e meio, e as iniciais USA. E enquanto a mãe continuava a enumerar seus méritos, Ashima, sem conseguir resistir a um impulso repentino e poderoso, pôs os pés dentro dos sapatos que estavam no chão. O resto de suor dos pés do dono misturou-se ao dela, fazendo seu coração disparar; era a coisa mais ...